19
Abr 09
  • Ana - Anorexia Nervosa;
  • Pró-Ana - A favor da anorexia;
  • Mia - Bulimia Nervosa;
  • Pró-Mia - A favor da bulimia;
  • Anjo, Boneca, Criança, Princesa - A designação atribuída a elas próprias, devido à alteração hormonal causada pela anorexia, que causa um atraso na puberdade;
  • Controlo - A meta que elas pretendem atingir;
  • Compulsão - Crise de voracidade, “Tive uma compulsão” significa: “Comi muito”;
  • ED - Eating Disorders (Perturbações do Comportamento Alimentar);
  • Miar - Vomitar, as “Mias” ou “Ana/Mias” (que são descritas cientificamente como anorécticas de tipo compulsivo) têm crises de voracidade em que ingerem grandes quantidades de comida e sentem muita culpa, vomitando em seguida;
  • LF - Low Food (pouca comida);
  • LFC - Low Food Colectivos, Pró-Anas/Mias fazem frequentemente jornadas de LF e promovem na internet, concursos em que ganha quem conseguir seguir as restrições mais severas durante mais tempo;
  • NF - No Food (nenhuma comida);
  • NFC - No Food Colectivo, Pró-Anas/Mias competem na internet com o objectivo de ver quem consegue aguentar mais tempo em jejum completo.
  •  


 

16
Abr 09

Pesquisas realizadas por um grupo de cientistas da Universidade Stanfors, nos Estados Unidos, e publicadas nas revistas científicas: “Journal of Pediatrics” e “Journal of Adolescent Health” comprovam que os jovens ao acederem a websites defensores da anorexia e bulimia como sendo um “estilo de vida” pioram a doença e que esta situação leva à destruição tanto da vida de adolescentes,como de adultos, sendo sobretudo as crianças as atingidas de forma grave. Segundo os pesquisadores os olhares devem ser redobrados sobre o uso da internet por parte dos jovens que apresentem sinais de problemas de peso.

O 1º estudo consistiu na realização de um questionário anônimo acerca da utilização da internet em casa a 76 pacientes diagnosticados com transtornos alimentares entre 1997 e 2004, com idades entre os 10 e os 22 anos e a 106 familiares.
Os resultados indicaram que metade dos pacientes já visitara este tipo de sites e entre eles 96% admitiram aprender técnicas para fazer dietas e vomitar. Ao comparar estes pacientes com os restantes foi possível concluir que as suas doenças duravam um período de tempo mais longo devido ao tempo ser passado mais online do que em outras actividades escolares.
O facto inesperado foi ao comprovar que igualmente os sites dedicados a ajudar pacientes a recuperarem-se produziam efeitos contrários, tendo 50% afirmado que aprendera novos métodos para perder peso ao visitá-los.
Relativamente aos pais, metade sabia da existência de sites a favor da anorexia e bulimia, entre os quais só 28% discutira este assunto com os filhos e apenas 20% deles impunha limites no tempo passado online ou nos conteúdos visitados.
No 2º estudo observou-se que as crianças que têm perturbações alimentares perdem peso mais fácilmente e rápidamente do que qualquer adolecente. Nas crianças a doença acaba por adquirir características próprias dificultando o diagnóstico e agravando o problema.
Nesta idade a falta de comida afecta a altura e o peso, no entanto a criança pode aparentar estar saudável sem estar de facto. Ao contrário dos adolesceste e adultos que pertendem perder peso, a maior parte das crianças não sabem a razão de não quererem comer. Os cientistas referem que pode dever-se ao facto de a criança demonstrar que não quer crescer e quando assim é, são detectados mais casos em rapazes do que em raparigas ao contrário do que acontece em idades superiores.
O facto de na infância as crianças desejarem emagrecer é um sinal de alarme a ter em consideração.


publicado por Jada às 18:34
sinto-me: Preocupado

16
Mar 09

"A anorexia pode estar associada a uma alteração na actividade da serotonina no cérebro.

A anorexia pode estar associada a uma alteração na actividade da serotonina no cérebro, defendem investigadores num artigo publicado no Archives of General Psychiatry.

Este neurotransmissor regula o humor e a ansiedade e, segundo os autores, as variações persistentes dos seus níveis favorecem os estados ansiosos e podem desencadear anorexia.

Contudo, os especialistas não excluem a possibilidade de que os níveis de serotonina sofram alterações devido à má nutrição inerente àquela doença.

O que está provado é que é uma doença relacionada com o metabolismo da serotonina, que é um neurotransmissor que tem a ver com o controlo do apetite. Portanto, as pessoas com anorexia e bulimia têm o metabolismo da serotonina perturbado."

Fonte: saude.sapo.pt/artigos/noticias_arquivo

 

Daniel Sampaio, numa entrevista, explicou que nalguns casos, o tratamento é bem sucedido com anti-depressivos. Nos casos de bulimia nervosa, é aconselhável que tomem, ao contrário dos casos de anorexia em que os medicamentos são pouco indicados.

publicado por Jada às 19:04
sinto-me:

O índice de Massa Corporal (IMC) é uma fórmula que indica se uma pessoa está acima do peso, se está obeso ou abaixo do peso ideal considerado saudável.

A fórmula para calcular o Índice de Massa Corporal é:
IMC = peso / (altura)2

 

 

Estas informações não se aplicam a grávidas, crianças ou atletas.

Se está com o IMC acima de 25, procure um médico e pratique actividades físicas de forma a manter uma vida equilibrada! Pode prevenir problemas futuros. Boa sorte!

Obrigado =)

publicado por Jada às 18:32
sinto-me:

06
Mar 09

Realizada no dia 27 de Novembro de 2009, pelas 17h15 dirigimo-nos ao Núcleo de Lisboa da AFAAB (apoio a familiares e amigos de anorécticos e bulímicos) onde fomos recebidos pelo seu coordenador José Delgado, contacto que nos foi fornecido pela Doutora Leonor Sassetti. Desta vez , a nossa entrevista tinha como objectivo perceber como tinha surgido, o seu funcionamento e saber que tipo de apoio facultava.

 

1. Como é que surgiu e porquê?

 

Em relação à associação, surgiu precisamente do apoio que era necessário dar às famílias com jovens doentes na área de bulimia e/ou anorexia. As pessoas sentiam-se muito sós, não sabiam como haviam reagir perante todas aquelas questões relacionadas com a anorexia, os sintomas, como lidar com a situação… Um conjunto de pessoas juntou-se com os médicos e criou-se a Associação, que tem como finalidade dar apoio às famílias e amigos e não aos doentes, como muitas pessoas pensam. Não estamos vocacionados para os doentes mas isso não quer dizer que não lhes possamos dar algum apoio ou orientação.
 

2. Qual é o objectivo da Associação?

 
O objectivo é promover os doentes, dar apoio às famílias, assegurar um bom internamento dos doentes, ou seja, ter o melhor de tudo para os doentes. É isso que faz parte do nosso estatuto, promover a doença, organizar colóquios, fazer-se a divulgação, através dos meios que nos forem possíveis da doença, dar uma informação geral ao público e se possível mais abrangente.

 

3. Como é que funciona a associação?

 

Nós temos uma sede que é no Porto. Depois estamos divididos em núcleos: temos o núcleo e sede no Porto, temos outro em Braga, um em Lisboa, em Faro e o de Coimbra neste momento está desactivado.

 

4. Quem faz parte da Associação?

 
A composição da equipa é um conjunto de pais, em que uns por casualidade são técnicos ou não, que tiveram filhos com esta problemática das doenças do comportamento alimentar. É constituída por uma direcção, um conselho fiscalizador de contas e uma assembleia-geral.
 

5. Sabemos que alguns dos vossos objectivos é divulgar os sintomas, as formas de prevenção e os meios de tratamento da doença. Para isso costumam ir às escolas?

 

Vamos algumas vezes às escolas, quando nos é pedido. Há muita dificuldade em sermos mais abrangentes devido ao horário escolar. Temos o site que está activo, por vezes fazemos congressos, seminários sobre estas temáticas.

 

6. Quais são as formas de divulgação que mais utilizam e como é que se chega à associação?
 
A maneira mais fácil de se chegar à associação é através do site. Para chegar à Associação (qualquer coisa) ou por pessoas que falam umas com as outras e conhecem-na, dizem da existência dela.
As pessoas que não conhecem é mais pelas pesquisas na Internet, chegam a Associação e vão ter connosco.
 
7. Para ajudar nas reuniões costuma estar presente algum técnico especializado neste assunto?
 
Nalgumas temos técnicos, noutras não. Funciona muito em base de auto-ajuda, ou seja, são as experiências de cada um dos presentes que é tratado por todos. Falamos sobre as causas possíveis, discutem-se pequenas coisas sobre como lidar com a doença e depois é a experiência de cada um nas várias fases de evolução em que já estão. É uma doença do foro psicológico e cada pessoa reage de maneira diferente, apesar de haver coisas comuns. É grande a dificuldade que os pais e amigos têm em se relacionar com esta doença que é muito difícil de, às vezes, compreender e depois como ajudar.
Gerimos nós próprios as reuniões.
 
8. Nas vossas reuniões só se reúnem pais ou também estão alguns jovens com estes problemas?
 
Jovens em tratamento não. O que tem acontecido muitas vezes, são jovens que já estejam recuperados, que queiram dar o seu testemunho.
 
9. São reuniões unifamiliares ou pluri-familiares?
 
Tentamos sempre que sejam pluri-familiares mas acontece muitas vezes também termos apenas um elemento das famílias. Normalmente, aparecem quase sempre os pais. Quando há irmãos há alguma dificuldade em conseguirmos ter os restantes membros da família. Já tentámos, várias vezes, fazer reuniões onde viessem os irmãos, pela experiência uns encaram muito bem as coisas, outros não se interessam, outros têm perspectivas diferentes.
 
10. Estas reuniões são abertas ao público?
 
Sim, são completamente abertas. Podem aparecer as pessoas que quiserem, os amigos, conhecidos e familiares. A única limitação são os doentes porque achamos que não é aconselhável estarem presentes.    
 
11. Quais são os temas debatidos?
 
Generalizando, os temas debatidos baseiam-se muito em como lidar com a doença e todas as questões inerentes a isso, sempre direccionadas um pouco para a comida, a culpabilização das pessoas. O casal que se culpabiliza um ao outro… Que estratégias arranjar para conseguirmos levar o doente a um tratamento. Na primeira fase do tratamento há sempre umas certas renitências em o doente se tratar e logo como dar a volta a esta situação.
 
12. Poderíamos assistir a alguma reunião?
 
Penso que sim. Nos finais de Janeiro e principais de Fevereiro, vamos ter uma reunião. O local das reuniões é aqui em Lisboa, no núcleo de comportamentos alimentar, em Entre Campos. Não há problemas nenhuns em assistir, no entanto, por uma questão de pôr as pessoas à vontade tenho que falar com elas, mas por mim não há problema.
 
13. Nós encontrámos na Internet alguns blogs de jovens que defendiam estes distúrbios alimentares como um estilo de vida. A nossa dúvida era se os familiares têm conhecimento que existem sites onde dão dicas de como esconder este tipo de doenças?
 
Todos temos conhecimento, os familiares também a partir das pesquisas. Os doentes também o sabem, pois também lá vão, também pesquisam. Por isso, é um fenómeno que gostávamos que não houvesse. Temos feito algum esforço em termos de conseguir com que alguns desses sites fossem encerrados, mas é muito difícil, principalmente, pelo surgimento dos blogs. Já era difícil controlar com os sites, agora com os blogs é ainda mais difícil. Não estamos de acordo com esse tipo de divulgação, não podemos fazer nada contra essas ideias que são expressas.
 
14. Quando são os dois filhos que têm anorexia, é mais difícil para os pais ou é igualmente difícil como se fosse um filho?
 
Eu acho que é um bocadinho mais difícil. Acho que é mais complicado, como numa situação como eu já apanhei, no caso de serem gémeos. Noutras situações é alternado, custa sempre mais à primeira, custa na mesma à segunda mas há alguma experiência que já se adquiriu. Tenho conhecimento de um caso onde teve a irmã mais velha e depois teve a mais nova. Já se lida melhor com a situação, não é aquele choque inicial. Vem tudo outra vez, as preocupações, desentendimentos familiares.
 

15. Quais as perguntas feitas habitualmente pelos pais?

 
Porque é que aquilo aconteceu? Quanto tempo é que vai demorar o tratamento? Será uma mania? Culpa será dos pais? (No caso depois divorciados). Será por a família ser demasiado protectora? / Controladores?  
 
 

 


05
Mar 09

No dia 29 de Outubro de 2008, pelas 13h, dirigimo-nos ao Hospital Dona Estefânia para entrevistar a Doutora Leonor Sassetti com o objectivo de sermos esclarecidos, relativamente a algumas das questões que tinhamos sobre o nosso tema. Assim sendo, seguem-se as nossas perguntinhas e as respectivas respostas dadas.

 

 

 Leonor Sassetti, médica pediatra e percursora de consultas para adolescentes no Hospital de Santa Maria, juntamente com todos os elementos do grupo.

 

  • Queríamos começar por lhe fazer uma pergunta mais pessoal. O que é que a levou a querer trabalhar com jovens?

A razão principal é que fui uma adolescente muito rebelde e acho que fui muito incompreendida. Tive sempre uma grande atracção para entender o que se estava a passar nesta idade. Quando eu entrei para pediatria os adolescentes ainda não faziam parte da idade pediátrica. Quando eu percebi que ia haver alargamento, achei logo que era uma idade que eu, eventualmente, poderia ajudar. Eu acho que o motivo essencial foi ajudar, de modo a que alguns jovens tivessem com quem falar, algo que eu senti que na altura não tive.

  • Sabendo que costuma lidar diariamente com jovens, já teve algum caso de anorexia ou bulimia?
Sim, muitos. Isto sendo uma consulta de adolescentes, portanto, é uma consulta de medicina de adolescentes, uma abordagem médica global de todos os problemas que se podem manifestar das maneiras mais diferentes nesta idade. A anorexia nervosa é uma patologia típica/ característica desta idade, embora cada vez mais vão surgindo alguns casos, não são muitos, de crianças antes da idade da adolescência. Segundo a OMS, o adolescente é um indivíduo entre os 10 e os 19 anos. De facto, vão aparecendo já alguns casos de anorexia verdadeira, de doenças do comportamento alimentar antes dos 10 anos. Portanto, não é exclusiva da adolescência. Existem doenças que têm um bocadinho de anorexia nervosa e bulimia nervosa. Há um grupo de situações que não se inclui numa ou noutra. Por exemplo, para se ter anorexia nervosa tem que se ter menorreia, portanto, não ter período. Se uma pessoa tem os critérios todos: medo de ficar gorda, querer ficar mais magrinha, mas o período ainda vem; ou uma criança que nunca teve o período. Há várias situações em que não se tem os critérios todos, mas tem-se alguns e então isto é um grupo muito grande que se chama em português: perturbação do comportamento alimentar sem outra especificação (PCASOE), foi traduzido do inglês: EDNOS – eating desorder not otherwise specified. Portanto, eu acho que a grande maioria, se calhar, tem mais EDNOS, PCASOE. Mas aparecem muitos casos com anorexia.
  • Há hipótese de uma pessoa que nunca teve o período deixar de comer e ficar infértil?
Sim. Uma pessoa que decide deixar de comer, e portanto, decide entrar num estado de fraqueza, de grande má nutrição, o corpo funciona de modo a poupar energia. Porque a pessoa não ingere, não tem energia disponível para a sua vida (para se mexer, estudar, coração bater, respirar, …), então o corpo entra num sistema de poupança de energia, o que faz com que o coração bata mais devagar, com que a temperatura do corpo baixe, portanto, tudo a funcionar menos para gastar menos energia básica. Consequentemente, tudo o que tem a ver com o desenvolvimento, puberdade, pode parar (se já começou), ou não se iniciar. Claro que isso depois depende da fase em que os médicos ficam atentos para a questão e também dependendo do sucesso de reverter a situação. Se a jovem andou muitos anos sem ninguém se aperceber, se for um caso que então, por causa disso for mais difícil de controlar, se a família não estiver envolvida; um coisa que vai acontecer seguramente é ficar mais baixinha, ou seja, não vai atingir aquilo que à partida estava predisposto que ela atingisse, e é verdade que estas meninas com anorexia nervosa podem ter uma diminuição de fertilidade, sem dúvida nenhuma. Às vezes, há algumas que nunca voltam a ter o período, embora seja uma percentagem mínima. Há algumas que têm um período irregular, o que significa que os ciclos são anovulatórios, não ocorrer ovulação e portanto não há fecundação.
  • A ajuda para este tipo de doenças é acessível a toda a gente?
É. Eu acho que é. Primeiro, eu acho que os números não são assim muito avassaladores e nós conseguimos dar conta da situação. Eu acho que o mais importante é detectar precocemente, tentar encaminhar. Por isso é muito importante o trabalho que vocês estão a fazer, mesmo a nível da escola. A mim já me aconteceu, quando trabalhava na Amadora, haver pessoas, professores das escolas, que ligavam directamente a marcar a consulta e não há problema nenhum nisso. O importante é detectar que há ali qualquer coisa, confrontar a pessoa e começar a segui-la. Eu acho que se conseguem resultados muito melhores se as coisas ainda não estiverem muito instaladas, sem dúvida nenhuma. Portanto, eu acho que é acessível a toda a gente.
  • A anorexia e a bulimia atacam cada vez mais os nossos jovens. Como é que acha que são os tratamentos destas doenças em Portugal?
O tratamento tem que envolver vários profissionais. Como isto é uma doença do foro psicológico, com efeitos, repercussões a nível médico, mas é do foro psicológico; tem que ter sempre uma pessoa da área da saúde mental, seja psiquiatra ou um psicólogo. Às vezes os dois dependem dos casos. O psiquiatra de crianças jovens chama-se pedopsiquiatra (se for abaixo dos 16 anos), se for maior de 16 anos, psiquiatra de adultos. Basicamente, tem de ser uma pessoa que esteja à vontade com esta patologia, porque há muitos que não estão e que não gostam. Habitualmente, também envolvem um ou uma dietista; ou um ou uma nutricionista, também é muito importante para estabelecer um plano de dieta, pretende-se que a pessoa readquira hábitos saudáveis. Por exemplo, se for uma pessoa que esteve sem comer nada durante uma data de tempo ou muito pouco, não pode de repente pôr-se a comer tudo, tem que ser uma coisa gradual, de acordo com os gostos da pessoa. A dietista é muito importante, ajuda imenso a adequar, fazer uma dieta equilibrada. Além disso, o médico também é importante. O médico pode ser de várias especialidades: pediatra, internista, ou endocrinologista. Os psiquiatras podem centrar-se nas coisas da saúde mental e o que é que levou a pessoa a enveredar por aquele caminho, ajudar a pessoa a entender-se, e podem não se preocupar com a questão dos pesos ou se tem anemia, se os intestinos funcionam bem, se a tenção está baixa, deixam isso tudo para o outro colega. Portanto, é bom que haja pelo menos estes três. Às vezes, os doentes podem ligar-se mais a uma pessoa ou outra e isso não faz mal nenhum. Por isso é que nós funcionamos em equipa, é preciso que haja algum profissional que consiga mobilizar as energias do doente fazendo-o ultrapassar, mudar e andar para a frente. Nesta equipa, por exemplo, também temos uma enfermeira. E às vezes é com ela que os jovens estabelecem uma ligação preferencial. A enfermeira, no caso de haver, também pode ter um papel essencial.
  • Maioritariamente, estes tratamentos costumam ser demorados. Tem conhecimento de algum caso em que o paciente tenha piorado devido a durabilidade do tratamento?
Numa fase inicial, tenta-se que se consiga controlar a situação sem internar, mas estabelecem-se alguns limites. Portanto, se se chegar à conclusão que o doente não está a ser capaz, porque não tem o apoio, envolvimento da família, porque as coisas já estão muito avançadas ou porque há outras complicações (por exemplo, um doente que está muito desidratado ou que o coração está a bater muito devagarinho) portanto, há situações que justificam o internamento imediato e há outras situações em que no seguimento do doente se percebe que aquilo sem internamento não evolui e então interna-se. No internamento, as regras são muito rígidas, é a maneira de se tratar estes problemas hoje em dia. No fundo, nós partimos do princípio que o doente sozinho não tem disciplina suficiente para fazer aquilo que nós estamos a mandar. Portanto, é internado, fica sem visitas, as horas das refeições são definidas, a dietista faz um esquema gradual conforme a pessoa. Vai-se aumentando gradualmente, até ao fim de uma semana, em que está atingir o que nós pretendemos, também não se pode ter um aumento excessivo porque isso também pode trazer problemas. Depois o doente vai adquirindo privilégios à medida que vai atingindo metas de peso. Em certos países, o doente quando entra não pode sair do quarto, fica isolado, a seguir, quando atinge outra meta já pode sair do quarto, participar nas actividades, receber e fazer telefonemas, pode sair à rua. São coisas que fazem parte deste processo gradual de privilégios que as pessoa vão tendo de acordo com os objectivos alcançados. Claro que, quando o doente está muito desnutrido, não é possível, fazer nenhum trabalho psicológico com ele, porque as pessoas com fome não conseguem pensar. Portanto, o objectivo é primeiro recuperar algum peso, então depois começamos a falar. Quanto ao internamento em Portugal existe um que funciona muito bem, o da pedopsiquiatria. Este permite que a pessoa tenha tempo para pensar sobre si, para reflectir, para se organizar e às vezes há conflitos muito grandes dentro da família e o afastar também é bom. Isto, ajuda porque há reuniões com a família com a presença de um técnico, de um médico, psiquiatra; onde as pessoas resolvem os problemas falando; o enquadramento é muito bom e favorecedor. O que acontece muitas vezes é que ao inicio há bastante renitência até que o paciente dá o “clique” e a pessoa está no bom caminho e volta à vida. O que se passa nestas doenças é que as questões ligadas com a alimentação tornam-se o centro da vida; e o centro da vida deve ser o que nós gostamos de fazer, estar com os amigos, as nossas actividades, a família. Nós comemos para fazer essas coisas.
  • Por vezes as famílias podem complicar o tratamento. Tem algum conselho para os familiares de alguém que sofre destes distúrbios alimentares?
Eu estou de acordo com os psiquiatras quando estes dizem que a anorexia nervosa, a perturbação do comportamento alimentar é um sintoma de que a família não funciona bem. É como se fosse a ponto do iceberg e depois começamos a ver que há outras coisas.
Há sempre questões relacionadas com a comunicação dentro da família. Claro que, quando a família quer colaborar e aceita e está envolvida com o doente, é muito mais fácil a intervenção. Se a família se opôs à intervenção dos técnicos, se a família acha que aquela maneira de conduzir o processo não está correcta, é uma grande confusão.
O objectivo tem de ser, não só tratar a pessoa, mas também por exemplo, fazer com que ela não morra.
No caso de o doente estar muito mal, em perigo de vida e a família opor-se ao internamento; nós, médicos, podemos resolver a situação através da lei, vamos a tribunal e o juiz confia a guarda dessa criança, se for menor, ao hospital e os pais não podem intervir.
Quando o paciente fica melhor vai ser, em princípio, entregue à família, a não ser que esta seja mesmo muito complicada. Tem de haver um trabalho da parta da família para melhorar as coisas.
  • Acha que os familiares também deveriam pedir a colaboração dos psicólogos para ajudar melhor os seus filhos?
As pessoas da saúde mental podem fazer apoio individual ao doente, podem também, detectar que alguém da família precisa de apoio. Por exemplo, no caso de não haver comunicação na família, esta necessita de uma terapia familiar. Habitualmente, vão-se fazendo algumas reuniões; quando eles estão internados e não têm visitas, numa fase inicial só vêm os pais, uma ou duas vezes por semana na reunião familiar, é algo mais leve, não é propriamente terapia familiar.
A terapia familiar é um processo muito estruturado e mais arrastado, quando se pede de facto são famílias muito disfuncionais e que necessitam dela.
  • Sabemos que os jovens que sofrem de anorexia e bulimia estão bastante debilitados psicologicamente. Como médica tenta dar alguma ajuda neste campo ou deixa que seja o psicólogo a tratar destes problemas?
Não, não. Eu acho que todos os membros da equipa são importantes e acho que eles têm que perceber que todos nos preocupamos com eles; o eles estarem mal ou bem não nos é indiferente e que nós nos empenhamos e queremos que as coisas mudem. Portanto, eu não estou muito preocupada em saber o peso que cada um tem na equipa. Mas percebo perfeitamente, e isso prende-se com a questão da enfermeira na outra pergunta, que as pessoas podem ter um peso diferente e isso tem a ver com o próprio jovem, com a empatia e também tem a ver com a maneira de ser.
Por exemplo, agora estou a seguir uma menina, um caso bastante complicado, e a menina tem alguma renitência em relação à pedopsiquiatra que é excelente e que é muito preocupada e muito envolvida e ela, por ela, até saía mas claro que não pode ser porque é ela que vai ajudar a menina a organizar muitas coisas. Todos temos que nos empenhar, claro que não estamos aqui a fazer o papel dos outros mas a estimular, e dizer que nos preocupamos é muito importante, eu sinto que isso é importante.
  • Quando ouvimos falar deste assunto, chegamos à conclusão que existem cada vez mais casos. Como acha que têm evoluído estes distúrbios ao longo do tempo?
Há poucos estudos em Portugal, os estudos que há mostram uma percentagem muito baixa. Noutros países, é diferente. Por exemplo, aqui em Espanha há imensos, imensos casos, não se imagina. Há um conjunto de explicações, as espanholas preocupam-se mais com o aspecto físico, se calhar tem a ver também com o poder de compra. Porque isto é uma doença das pessoas que têm acesso. Em Moçambique não há anorexia nervosa. Aliás, aqui há alguns anos ouvi uma médica a falar que dizia assim: “Eu acho que é um tratamento radical para estas coisas que é levar uma jovem dessas a um país desses”. Eu não sei se é tanto assim. Porque é preciso depois modificar a cabeça. Por exemplo, no Brasil só há na classe superior, nas outras não há. É um país de grandes contrastes, porque têm as doenças dos países muito pobres (má nutrição, febre reumática) e têm a “dos ricos”, anorexia nervosa.
  • Na sua opinião acha que a sociedade actual influência o comportamento e maneira de pensar dos nossos jovens?
Claro que influência. Mas isso, também está muito discutido e não há ideias claras sobre esse assunto, da influência da publicidade e dos modelos que são propostos nesta situação. Não é claro isso porque pensa-se que também há factores genéticos que são muito importantes. Acho que isso não está ainda completamente esclarecido. Não sou uma grande “expert” nisso mas é polémico.
A verdade é que, por exemplo, toda a gente se lembra, acho que foi o ano passado ou há dois anos, em Espanha, que aquelas modelos completamente anorécticas foram proibidas de desfilar. Eles agora têm um mínimo, o que significa que talvez haja algumas que influenciem. Agora, hoje em dia, há uma área que está a despertar o interesse crescente e que é a possível influência de sites promotores da anorexia. Nunca me deu para navegar nessas coisas. Agora aquilo é muito preto no branco, olha faz isto ou como é que hás-de enganar.
  • Na maior parte dos casos que ouvimos falar são sobre jovens do sexo feminino, porém já existem casos de rapazes. Têm surgido mais rapazes a pedir ajuda para combater estes problemas?
A percentagem é, mais ou menos, até aqui; a proporção era de 9 raparigas para um rapaz. Mas estamos com a ideia de que está a modificar-se, quer dizer já não está tanto assim, já estão a aparecer mais rapazes. Em muitos rapazes, em todos os que eu vi até hoje com qualquer coisa relacionada com isto, tinham perturbação da identidade de género, ou seja, um bocadinho com tendências homossexuais ou com dúvidas em relação à sua orientação sexual. Aqueles que eu vi, estou-me a lembrar de três, não tinham ainda idade para serem homossexuais assumidos porque, como sabem, isso é uma coisa que ainda se vai construindo durante a adolescência mas em todos havia ali qualquer coisa.
  • Com a nossa pesquisa lemos uma notícia que nos informou que em 2004 cientistas espanhóis tinham identificado uma variante genética que aumenta a tendência para distúrbios alimentares, como a anorexia e bulimia. O que é que nos pode dizer sobre esta recente descoberta?
Não sei nada sobre isso (risos). Podem vocês dizerem-me a mim (risos). Eu acredito que hoje em dia, estamos a descobrir que dá uma susceptibilidade maior a uma pessoa que tenha esse padrão genético e que depois juntando-se várias coisas, quer dizer, um determinado ambiente, determinadas circunstancias…
  • A medida que fomos fazendo a nossa pesquisa encontramos blogs de raparigas que defendiam a anorexia e a bulimia como um estilo de vida, o que nos preocupou muito, visto terem muitos seguidores, e outros que pedem ajuda para entrarem neste “estilo de vida”. Qual é a sua opinião sobre o modo como estes problemas são abordados na Internet?
Sim, isso a mim também me preocupa porque nós não sabemos qual é efectivamente o impacto e capacidade que estes blogs têm de modificar e induzir determinados comportamentos. Nós sentimos um bocado, digamos, como uma luta desigual. As pessoas do marketing têm muito mais meios do que as pessoas dos estilos de vida saudáveis, quer dizer, os outros recorrem a campanhas de publicidade que estudam bem como é que hão-de fazer vender o seu peixe e a gente anda para aqui a dizer “Ah! É bom fazer exercício físico” e mais não sei quê. Ou seja, nós não utilizamos as mesmas armas que eles. Aqui também me faz lembrar um bocadinho isso porque a gente sabe que a Internet tem realmente uma grande eficácia. E portanto, como é que nós conseguimos lutar contra isso?
Mas como é uma coisa muito nova, ainda não está estudado o impacto.
  • Estando ligada aos jovens, trabalha directamente com alguma associação de apoio? Como é que a associação trabalha?
Há uma associação de familiares, AFAAB. Têm reuniões cá e vocês podem ir. São pais que têm graves problemas e que se reúnem.
publicado por Jada às 18:06
sinto-me: + inteligente

11
Fev 09

Escolhemos este tema pensando que já sabíamos tudo sobre esta doença, por isso, focámos o nosso trabalho mais em ajudar as pessoas que sofrem destes distúrbios, os seus familares, amigos e sobretudo em divulgar as caracteristicas e consequências, pois apesar de ser um tema debatido ainda existem imensas pessoas que continuam sem saber o que são realmente os distúrbios alimentares.

Tinhamos consciência da gravidade da situação mas não estávamos à espera de nos depararmos com pessoas que se agarram à anorexia (ana) e à bulimia (mia) como se fosse a única coisa importante nas suas vidas. Umas das coisas que nos levou a esta conclusão foi durante umas das nossas pesquisas na internet onde encontrámos imensos blogs de raparigas (sobretudo brasileiras) que utilizavam os mesmos como diário, onde podiam desabafar, contar o que lhes acontecia diariamente, tinham um registo de calorias e metas a alcançar, davam dicas de como esconder o problema e como não comer. Só para terem uma noção, um dos blogs dizia: "Ata uma fita vermelha à mão com a qual comes, dando tantos nós quantos quilos queres perder e sempre que fores para comer olhas para a fita e ao recordares os teus objectivos, resistes."

Portanto, o que no fundo pretendemos, é tentar fazer com que as outras pessoas entendam que estes distúrbios não são meros caprichos e que não basta obrigar estas pessoas a comer.

publicado por Jada às 09:11
sinto-me: motivado

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Boas! Somos um grupo de trabalho da Escola Secundária de Linda-a-Velha e, no âmbito da disciplina de Área de Projecto estamos a realizar um trabalho sobre Anorexia e Bulimia. Vocês devem-se estar a perguntar onde pretendemos chegar com a criação deste blog. Bem, a resposta é bastante simples na verdade: primeiro, é bom que fique claro que nós não queremos de modo algum criticar ninguém, mas sim tentar alertar e/ou ajudar quem sofre destes distúrbios e quem convive com estas pessoas diariamente. Assim, contamos com a vossa colaboração e apoio! Obrigado!!! :)
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