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Realizada no dia 27 de Novembro de 2009, pelas 17h15 dirigimo-nos ao Núcleo de Lisboa da AFAAB (apoio a familiares e amigos de anorécticos e bulímicos) onde fomos recebidos pelo seu coordenador José Delgado, contacto que nos foi fornecido pela Doutora Leonor Sassetti. Desta vez , a nossa entrevista tinha como objectivo perceber como tinha surgido, o seu funcionamento e saber que tipo de apoio facultava.

 

1. Como é que surgiu e porquê?

 

Em relação à associação, surgiu precisamente do apoio que era necessário dar às famílias com jovens doentes na área de bulimia e/ou anorexia. As pessoas sentiam-se muito sós, não sabiam como haviam reagir perante todas aquelas questões relacionadas com a anorexia, os sintomas, como lidar com a situação… Um conjunto de pessoas juntou-se com os médicos e criou-se a Associação, que tem como finalidade dar apoio às famílias e amigos e não aos doentes, como muitas pessoas pensam. Não estamos vocacionados para os doentes mas isso não quer dizer que não lhes possamos dar algum apoio ou orientação.
 

2. Qual é o objectivo da Associação?

 
O objectivo é promover os doentes, dar apoio às famílias, assegurar um bom internamento dos doentes, ou seja, ter o melhor de tudo para os doentes. É isso que faz parte do nosso estatuto, promover a doença, organizar colóquios, fazer-se a divulgação, através dos meios que nos forem possíveis da doença, dar uma informação geral ao público e se possível mais abrangente.

 

3. Como é que funciona a associação?

 

Nós temos uma sede que é no Porto. Depois estamos divididos em núcleos: temos o núcleo e sede no Porto, temos outro em Braga, um em Lisboa, em Faro e o de Coimbra neste momento está desactivado.

 

4. Quem faz parte da Associação?

 
A composição da equipa é um conjunto de pais, em que uns por casualidade são técnicos ou não, que tiveram filhos com esta problemática das doenças do comportamento alimentar. É constituída por uma direcção, um conselho fiscalizador de contas e uma assembleia-geral.
 

5. Sabemos que alguns dos vossos objectivos é divulgar os sintomas, as formas de prevenção e os meios de tratamento da doença. Para isso costumam ir às escolas?

 

Vamos algumas vezes às escolas, quando nos é pedido. Há muita dificuldade em sermos mais abrangentes devido ao horário escolar. Temos o site que está activo, por vezes fazemos congressos, seminários sobre estas temáticas.

 

6. Quais são as formas de divulgação que mais utilizam e como é que se chega à associação?
 
A maneira mais fácil de se chegar à associação é através do site. Para chegar à Associação (qualquer coisa) ou por pessoas que falam umas com as outras e conhecem-na, dizem da existência dela.
As pessoas que não conhecem é mais pelas pesquisas na Internet, chegam a Associação e vão ter connosco.
 
7. Para ajudar nas reuniões costuma estar presente algum técnico especializado neste assunto?
 
Nalgumas temos técnicos, noutras não. Funciona muito em base de auto-ajuda, ou seja, são as experiências de cada um dos presentes que é tratado por todos. Falamos sobre as causas possíveis, discutem-se pequenas coisas sobre como lidar com a doença e depois é a experiência de cada um nas várias fases de evolução em que já estão. É uma doença do foro psicológico e cada pessoa reage de maneira diferente, apesar de haver coisas comuns. É grande a dificuldade que os pais e amigos têm em se relacionar com esta doença que é muito difícil de, às vezes, compreender e depois como ajudar.
Gerimos nós próprios as reuniões.
 
8. Nas vossas reuniões só se reúnem pais ou também estão alguns jovens com estes problemas?
 
Jovens em tratamento não. O que tem acontecido muitas vezes, são jovens que já estejam recuperados, que queiram dar o seu testemunho.
 
9. São reuniões unifamiliares ou pluri-familiares?
 
Tentamos sempre que sejam pluri-familiares mas acontece muitas vezes também termos apenas um elemento das famílias. Normalmente, aparecem quase sempre os pais. Quando há irmãos há alguma dificuldade em conseguirmos ter os restantes membros da família. Já tentámos, várias vezes, fazer reuniões onde viessem os irmãos, pela experiência uns encaram muito bem as coisas, outros não se interessam, outros têm perspectivas diferentes.
 
10. Estas reuniões são abertas ao público?
 
Sim, são completamente abertas. Podem aparecer as pessoas que quiserem, os amigos, conhecidos e familiares. A única limitação são os doentes porque achamos que não é aconselhável estarem presentes.    
 
11. Quais são os temas debatidos?
 
Generalizando, os temas debatidos baseiam-se muito em como lidar com a doença e todas as questões inerentes a isso, sempre direccionadas um pouco para a comida, a culpabilização das pessoas. O casal que se culpabiliza um ao outro… Que estratégias arranjar para conseguirmos levar o doente a um tratamento. Na primeira fase do tratamento há sempre umas certas renitências em o doente se tratar e logo como dar a volta a esta situação.
 
12. Poderíamos assistir a alguma reunião?
 
Penso que sim. Nos finais de Janeiro e principais de Fevereiro, vamos ter uma reunião. O local das reuniões é aqui em Lisboa, no núcleo de comportamentos alimentar, em Entre Campos. Não há problemas nenhuns em assistir, no entanto, por uma questão de pôr as pessoas à vontade tenho que falar com elas, mas por mim não há problema.
 
13. Nós encontrámos na Internet alguns blogs de jovens que defendiam estes distúrbios alimentares como um estilo de vida. A nossa dúvida era se os familiares têm conhecimento que existem sites onde dão dicas de como esconder este tipo de doenças?
 
Todos temos conhecimento, os familiares também a partir das pesquisas. Os doentes também o sabem, pois também lá vão, também pesquisam. Por isso, é um fenómeno que gostávamos que não houvesse. Temos feito algum esforço em termos de conseguir com que alguns desses sites fossem encerrados, mas é muito difícil, principalmente, pelo surgimento dos blogs. Já era difícil controlar com os sites, agora com os blogs é ainda mais difícil. Não estamos de acordo com esse tipo de divulgação, não podemos fazer nada contra essas ideias que são expressas.
 
14. Quando são os dois filhos que têm anorexia, é mais difícil para os pais ou é igualmente difícil como se fosse um filho?
 
Eu acho que é um bocadinho mais difícil. Acho que é mais complicado, como numa situação como eu já apanhei, no caso de serem gémeos. Noutras situações é alternado, custa sempre mais à primeira, custa na mesma à segunda mas há alguma experiência que já se adquiriu. Tenho conhecimento de um caso onde teve a irmã mais velha e depois teve a mais nova. Já se lida melhor com a situação, não é aquele choque inicial. Vem tudo outra vez, as preocupações, desentendimentos familiares.
 

15. Quais as perguntas feitas habitualmente pelos pais?

 
Porque é que aquilo aconteceu? Quanto tempo é que vai demorar o tratamento? Será uma mania? Culpa será dos pais? (No caso depois divorciados). Será por a família ser demasiado protectora? / Controladores?  
 
 

 


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Sobre Nós
Boas! Somos um grupo de trabalho da Escola Secundária de Linda-a-Velha e, no âmbito da disciplina de Área de Projecto estamos a realizar um trabalho sobre Anorexia e Bulimia. Vocês devem-se estar a perguntar onde pretendemos chegar com a criação deste blog. Bem, a resposta é bastante simples na verdade: primeiro, é bom que fique claro que nós não queremos de modo algum criticar ninguém, mas sim tentar alertar e/ou ajudar quem sofre destes distúrbios e quem convive com estas pessoas diariamente. Assim, contamos com a vossa colaboração e apoio! Obrigado!!! :)
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